terça-feira, 10 de julho de 2012
E se...?
A paixão de uma nação transforma jogadores em guerreiros. O céu parecia mais azul, as cinco estrelas pareciam nunca ter brilhado tanto e meu coração não aguentava mais de tanta ansiedade, nas ruas as buzinas mostravam a alegria e agonia dos torcedores estrelados e nos cantos bem escondidos estavam a corja negra de atleticanos. Tudo caminhava para a realização de um sonho, saí de casa cedo bem cedo para não perder nada, meu pai perguntava:
- Minha filha, você para quê tanta maquiagem, você vai a alguma festa?
E eu com os olhos brilhando respondia com a maior certeza do mundo que iria sim, que iria para festa do meu time. O jogo era às 22h e às 17h já estávamos lá.
O acúmulo de confiança rondava na cidade, câmeras, buzinas e imprensa de todos os cantos do mundo. O Estudiantes, o time contra quem iríamos jogar era recebido pela corja que pedia fotos e deles mesmo.
A hora chegou, o Mineirão estava lindo, todo azul, a lua estava estonteante, não me aguentava de tanta felicidade, era tudo perfeito demais. Pensava na emoção que descreveria para os meus filhos, assim como meu pai me descreveu da final em que foi.
O jogo terminou e não fomos campeões, tudo estava acabado, os sonhos, as pessoas, os comerciantes, a festa e eu. Não parecia real, só podia ser brincadeira. Saímos de lá direto comer alguma coisa, já passava da meia-noite e não comia nada desde o almoço, meu pai parou num sanduiche e alguns minutos depois chegaram os atleticanos, com bandeiras, faixas gritando e ligando o som do hino deles, como se eles tivessem ganhado. Até àquela hora não tinha chorado, não conseguia falar, chorar, fazer nada estava em choque e ainda vendo aquela cena deplorável. Jogamos contra o Estudiantes e quem ganhou foram os atleticanos?
O excesso de confiança talvez tenha nos arruinado, lembro-me de poucas coisas que talvez se tivesse como voltar faria tudo diferente, não sei se isso mudaria, mas faria diferente. E se naquele dia eu tivesse visto meu primo antes, se eu tivesse pensado no pior, se eu tivesse comprado sinalizadores e se tivesse ido até o hotel onde estavam hospedados para soltar foguetes e não deixá-los dormir direito? E se eu não tivesse chegado tão cedo, e se eu tivesse levado minha mãe junto, e se eu não tivesse ido, e se o Galvão não tivesse narrado e se...?
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